O universo cinematográfico vive de contrastes e, enquanto alguns lançamentos prometem reviver franquias amadas apenas para entregar decepções históricas, outros gêneros permanecem como portos seguros de qualidade narrativa. É o caso recente do terror, que sofreu um duro golpe com a estreia de “Return to Silent Hill”, contrastando fortemente com a perenidade e o encanto das produções de época que continuam a conquistar o público.
O retorno amargo de Christophe Gans
A nova aposta da franquia de terror, dirigida por Christophe Gans, alcançou um marco nada invejável logo após a liberação das primeiras críticas. Conforme as reações especializadas começaram a surgir, o filme atingiu o fundo do poço no ranking da série, consolidando-se como a produção pior avaliada da saga no Rotten Tomatoes. Com uma aprovação de apenas 7% baseada em 15 críticas, o longa conseguiu a proeza de ficar atrás até mesmo de “Silent Hill: Revelation”, que detinha a lanterna com 8%, e muito distante do original de 2006, que acumula 33%.
A imprensa não poupou palavras duras para descrever a experiência. Jesse Hassenger, do The Guardian, foi cirúrgico ao notar que fazer um filme de terror onde o herói parece mais “casualmente curioso” do que assustado é uma proposta arriscada que não funcionou. A crítica especializada apontou problemas estruturais graves: Justin Clark, da Slant Magazine, lamentou que o filme descarte toda a nuance psicossexual que tornou “Silent Hill 2” icônico, enquanto Matt Donato, do Daily Dead, classificou as atuações como fracas e a narrativa como pessimamente editada, resultando em um entretenimento de terror desastroso.
Mesmo quando há elogios pontuais, eles vêm acompanhados de ressalvas. Robert Kojder, do Flickering Myth, reconheceu que o diretor entende visualmente o pesadelo de Silent Hill de forma vivida, mas falha em compreender a essência do que está adaptando. A única crítica “fresca”, vinda de Dominic Baez do Seattle Times, admite que o filme não funciona na maior parte do tempo, salvando-se apenas por um desfecho minimamente convincente. Lançado nos cinemas em 23 de janeiro de 2026, com classificação R devido à violência e linguagem, a trama segue James (Jeremy Irvine) em sua busca pela amada Mary, mas parece que o verdadeiro horror foi sentido apenas pela audiência.
Um antídoto cinematográfico: tramas de época
Se o terror moderno tem deixado a desejar, a solução para muitos cinéfilos é buscar conforto em narrativas consagradas, especialmente para aqueles que têm uma obsessão particular por clássicos como “Orgulho e Preconceito”. Para limpar o paladar de decepções recentes, o cinema de época oferece opções ricas em drama, romance e figurinos impecáveis.
Uma alternativa imediata é “Adoráveis Mulheres” (2019). Para quem aprecia a ambientação histórica, esta adaptação do livro “Mulherzinhas” é um prato cheio. A trama nos apresenta as irmãs March, cuja união inabalável é o coração da história, mantendo-se firmes até que uma notícia impactante abala as estruturas familiares. É o tipo de filme que entrega exatamente a profundidade emocional que faltou aos lançamentos de terror desta temporada.
Para quem busca algo com mais intriga palaciana, “A Outra” (2008) expõe os bastidores tumultuados da corte do Rei Henrique VIII. A falta de um herdeiro masculino desencadeia uma trama de manipulação onde o Duque de Norfolk e Sir Tomás Bolena empurram Ana Bolena para seduzir o rei. A ironia do destino, no entanto, faz com que Henrique se apaixone por Maria, a irmã de Ana, criando um triângulo amoroso histórico repleto de consequências devastadoras.
A conexão Jane Austen e Keira Knightley
Não se pode falar de filmes para fãs de “Orgulho e Preconceito” sem mencionar Keira Knightley. Em “Colette” (2018), a atriz brilha na pele da escritora Sidonie-Gabrielle Colette no início do século XX. A trama aborda sua introdução à boemia parisiense pelo marido, Willy, que a convence a escrever livros que seriam publicados sob o nome dele. É uma história de libertação e talento que ecoa a força das protagonistas de Austen.
Falando na autora britânica, as adaptações de suas obras continuam sendo uma aposta segura. “Emma” (2020) traz a inteligente e bela Emma Woodhouse, que, em sua busca por grandes emoções, acaba se envolvendo em aventuras complexas e romances duvidosos. Já para fechar a lista de recomendações, “Persuasão” (2022), da Netflix, apresenta Anne Elliot, uma jovem que foi persuadida a rejeitar o homem que amava por questões financeiras, apenas para vê-lo retornar anos depois, reacendendo dilemas do passado. Enquanto o terror tenta se reinventar e falha, esses dramas provam que certas fórmulas, quando bem executadas, são atemporais.
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